O sonho…

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Eu tive um sonho. Um sonho gigante. Daqueles com início, meio e fim. Cheio de personagens, trechos e mistérios mentais.  Gostava mais quando não estudava psicanálise. Os sonhos tinham sua excitação, poesia, seu romantismo…

Hoje são apenas instrumentos de interpretação de um inconsciente que fica de mimimi e não diz o que quer dizer. Deve ser canceriano esse cara.

Mas o fato é que sonhei estar com Camila Pitanga. Iria trabalhar com ela numa espécie se documentário e portanto durante 24 horas, eu estaria em sua companhia de forma profissional. Eu e uma amiga fotógrafa iríamos gravar, fotografar e escrever sobre o trabalho que ela estava desenvolvendo.

O dia, no sonho, nascera muito cedo e foto pra cá, conversa prá lá, rola um estresse aqui, outro ali, ela, a Camila, me pede com delicadeza que precisa ficar com sua filha sozinha por duas horas… ok. Tudo bem e então eu e minha amiga fotógrafa, vamos então fazer outros registros. Estávamos num set em uma fazenda e… de repente pisamos na merda. Isso na bosta, no cocô, nas fezes… os nossos sapatos, os meus e os dela, atolaram e… era de gente, de humano. Ok. Lamento, limpeza, tchau. Minha amiga acabou o trabalho e foi embora, desapareceu.

A tarde, estou num puff escrevendo, Camila e sua filha vem e brinco um pouco com a menina… ela, a mãe, senta na minha frente e iniciamos informalmente uma conversa sobre política. A conversa se estende e fica aquecida. A filha vai embora com a cuidadora e continuamos a expor nossas opiniões. Chega alguém e pede a ela para que faça algo e ela resolve adiar. Fico em conflito se lhe digo que nossa conversa está sendo gravada, pois desde que entrei no meu carro, lá em Campinas estou com duas câmeras gravando tudo o que vejo fulltime.

Voltamos ao nosso diálogo e migramos nossa conversa para outros assuntos e lhe convido para um café. Mas lá na cozinha da fazenda, onde a tiazinha mora com o seu marido, longe do set e com um pouco de calma. Ela aceita, sorri e olhando nos meus olhos, me diz como era bom encontrar um novo amigo.

E o sonho rolando… sei lá que horas era. E de repente me vejo no corre sozinho no set e um fala, outro grava… e eu escrevo, converso com um, com outro. De repente, do nada, aparece alguém. Isso, vamos dizer que era você! Rs. E me pergunta o que estou fazendo ali. Porque, como, quando e quanto? Respondo… já é fim de noite… dou um tchau de longe para a Camila, ela sorri e junta as mãos em forma de agradecimento e assim também faço com todos os demais. Minha participação ali acabara. Então nós dois conversamos amenidades… você me diz que era legal o trabalho e lhe chamo para jantar. Saímos e vamos jantar. Você escolhe o tipo de comida e eu o lugar. Tudo muito tranquilo… na primeira garfada, acordo.

Acordei. E ai? O que que você me diz?

Através dos sonhos nosso inconsciente permite decifraramos algo sobre nós, nossos conflitos. Então, a censura do sonho permite a desfiguração do seu conteúdo, deixando algo que está lá nas entranhas da mente passível de conhecimento, ou seja, aquilo que não suportamos lembrar, vem mascarado através do sonho. Sempre lembrando que o sonho é o desejo de ficar bem… e aí? Arrisca uma interpretação? Rs.

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QuarentaeQuatro

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E tudo ainda estava lá
A cama, o banheiro, a pia
O tapete, o sofá
Uma ou outra coisa diferente
Um ou outro estranho
Indícios deste ou daquele

O buraco na parede
O varal sem prendedores
O ritmo da máquina
A água lavando o corpo
O cozer no fogão…

Pela janela vi o anoitecer
O ontem nos cantinhos
Escutei, observei, senti
Desentendimentos
Sussurros, amor…

Acordei, escutei, me policiei
Eu não sou mais aquele
Amei, errei, perdi, sofri
É preciso ir, seguir, sorrir

Transmutar o desejo
Educar o olhar
Ensinar o pensar
Transferir o amar
Para o hoje ou o amanhã
Dissolve-lo aos poucos

Quarenta e quatro
Um pouso bom para um bem querer
Terás meu olhar para sempre
Mas para hoje apenas um devaneio

O girassol

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Sou feito de instantes
De desejos, de repentes
De olhares…

Busco instintivamente a luz
Embora as vezes ela nos cegue
E mostre nossas próprias sombras

Temos uns medos desde muito tempo
No novo, do velho, do ontem, do amanhã
Do amor comumente travestido de dor

Tenho uma memória corporal
Feita de arrepios, sentires
Beijos, abraços, adeuses

De sóis e luas tenho tantos
Que me confundo
Por entre lembranças

Um dia depois do dia
Sinta meu abraço triste
Pois dá vontade de desistir

Há em mim espasmos de loucura
Talvez um mistério que alguns possuem
Que somente o espelho conhece

Sou uma desordem aparente
Numa coexistência de certos e errados
Onde para sofrer tem que sorrir

Tenho a riqueza e a pobreza
Dentro de mim
Marcas da minha história

Vou esperar a vírgula
Detesto ponto final
Amo reticências

Devaneios noturnos…

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Engraçado como as vezes é a vida. As vezes se apresenta como fantasia, outras um sonho, mas sempre com nuances reais. Mas a vida é a vida, oras! Não te vejo faz algum tempo e hoje sonhei com você. Duas vezes! Digo duas pois levantei no meio da noite e neste intervalo você me visitou em sonho. Talvez uma mensagem do inconsciente? Quem sabe um presságio? Uma das vezes estava em Belo Horizonte e haviam inaugurado uma espécie de Torre Eiffel com duas opções de subida: uma por escada e outra por escalada. Muita gente conhecendo e lá pelos 10 metros de altura nossos olhos se encontraram. Eu na escada, calmo e observando e você escalando. A primeira reação foi de alegria, de surpresa, mas logo depois tomada de uma discussão do tipo ‘o que você está fazendo aqui!?’. Canceriano que sou, desci e fui embora. Nunca mais nos vimos. Resolvi terminar meu passeio fora do circuito turístico para não mais lhe encontrar. Nem deu tempo de falar que adorei seu novo corte de cabelo…

No outro sonho, alguns anos depois, era inverno e resolvi passar meu aniversário num hotel fazenda em São Pedro ou Àguas de São Pedro. Estava lá já há dois dias, pois eu era um profissional liberal e resolvi prolongar o fim de semana e então resolvi almoçar. Avisto uma mesa enorme repleta de pessoas barulhentas que imediatamente me chamam a atenção. Percebo que todo mundo conversa ao mesmo tempo, em duplas, trios e as vezes com toda a mesa… e então te vejo. Nossos olhos se encontram mais uma vez e o brilho do seu olhar é carregado por um sorriso e um convite: ‘senta aqui, almoça com a gente’. Eu ainda decidindo se dou um passo ou desvio meu olhar, consigo apenas sorrir e agradecer. Isso provoca uma parada rápida na conversa da mesa e percebo que muitos desaprovam  com o olhar minha inserção entre eles. Resolvo não sentar, mas demonstro gentileza e lhe convido para comer depois a sobremesa comigo ou tomar um café. Minha companhia até então era um livro. Depois, você veio; sem cerimônia sentou-se. Estava mais madura, mas ainda era a mesma de sempre. O olhar carregado de coisas me despertava levemente a curiosidade. Depois de me metralhar com tantas perguntas, pôs-se a falar. Contou histórias, fracassos, decepções e me levou ao passado; ao nosso passado. Eu já não era o mesmo, nesse tempo ouvia muito mais do que falava. Rimos muito e quando abaixei a cabeça para mais uma colher do pudim, acordei.

Era manhã de um dia frio, daqueles que existem entre um amor que se fôra e uma dezena de outros que batem à porta disfarçados até com fechas do cupido. Eacuto o dia nascer e sou intuído a não esquecer de ouvir os passarinhos que me dão bom dia. Bom dia! Até a noite e quem sabe haja tempo para você me acompanhar no café da tarde, mesmo que em sonho, pois afinal a conversa estava ótima; como sempre esteve. Agora me cabe ouvir Jung ou Freud para a devida interpretação deste sonho. Rs.

Sobre dias não virtuosos…

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Então o dia se fez e não foi de repente. Não saberia dizer o exato momento em que isso ocorreu. Foi esperado, preparado e quando se percebeu, era dia. Indiferente aos meus anseios, se fez. Talvez desejasse que hoje ele não se fizesse presente.

Um dia cinzento, que teimosamente se arrasta para o anoitecer. Muitos dias num dia, tal minha falta de sintonia para com ele, sem o mínimo de esperança, fé e virtudes.

O melhor é que eu sobreviva a ele, preferencialmente sem muito esforço, pois minhas vontades estão morrendo pouco a pouco. Daqui a pouco o demônio das quinze horas me tomará e temo não apresentar qualquer defesa. Tal qual um lago inerte sob o sol, estou eu diante desse dia.

Oh malditos pensamentos que ontem me empurravam para hoje, onde estão para me fazerem arrastar-me ainda que um milímetro para o amanhã?

Uns são felizes por coisas do hoje e outros do ontem e do amanhã. Alguns se fundem com coisas e objetos para exalarem esse tipo de felicidade; a felicidade da posse. Nada disso faz minhas pálpebras se mexerem.

Nem as respostas me servem ou me interessam, os sentidos são difusos, confusos, díspares. Talvez como o aço precise dos extremos para virar espada, careço da inércia para seguir em frente.

O enfado está prolongado demais e nem eu aguento esse ser que nasce em mim, obtuso e estúpido. A chuva irá me salvar por um banho nú. A água do céu espantará esse engodo que me toma. Minha mão é a única coisa que desperta minha atenção.

Primeiro de janeiro…

O dia que nem amanheceu direito, com as ruas vazias e aquela ressaca de uma noite longa, me trouxe de repente uma vontade de agradecer. Um ano difícil se foi, mas sobrevivemos com louvor. E realmente há muito para agradecer. Talvez como nunca, tenha tanta gratidão.

Fiz uma pequena caminhada e ao encontrar um ou outro desconhecido, desejavamos mutuamente um verdadeiro recomeço.

Talvez realmente seja uma oportunidade de se tentar fazer novas coisas, dar vida a velhos projetos e exorcizar alguns fantasmas. Talvez tentar mais uma vez reorganizar desejos, sentimentos e porque não, relações. Talvez sejamos capazes…

Realmente há um ano novo nascendo. Talvez possamos modificar nossas relações, ignorar alguns problemas, tomar novos rumos, confundir nossos sentimentos com pensamentos… rs, mas jamais fugiremos da necessidade de melhorar, evoluir, aprender! Essa verdade é eterna. Graças a Deus.

Então, em frente! Até 2017.

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